Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010
Meio Ambiente
Jaú, o maior parque do mundo Ed. 85

O Parque Nacional do Jaú, administrado pelo Ibama, é a maior reserva florestal do Brasil e o maior parque do mundo em floresta tropical úmida intacta, constituindo-se uma importante amostra dos ecossistemas amazônicos. Localiza-se na Floresta Amazônica, abrangendo os municípios de Novo Airão e Barcelos, no Estado do Amazonas e seus limites naturais são os Rios Negro, Jaú, Carabinani, Pauini e Unini, além dos igarapés Açú, Timbó-titica, Sebastião e Maruim.

Situado no planalto rebaixado da Amazônia Ocidental, tem relevo aplainado e altitudes em torno de 100 metros. Assenta-se sobre interlúvios tabulares, geralmente separados por vales periódica ou permanentemente alagados. Acompanhando os leitos dos rios ocorrem aluviões do Período Quaternário, formados por areias, siltes e argilas.
Este parque possui uma área de cerca de 2,4 milhões de hectares, cujo perímetro é de 1.213.791.108 metros, cuja peculiaridade mais extraordinária é o fato de ser esta a única unidade de conservação do Brasil que protege totalmente a bacia de um rio extenso e volumoso, o Rio Jaú, preservando ecossistemas de águas pretas. Sua denominação se deriva do nome de um dos maiores peixes brasileiros, o jaú (do tupi, ya’ú), que também cede seu nome ao principal rio do parque.
A criação do parque foi proposta pelo Ibama com apoio dos estudos realizados pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), considerando a área valiosa para preservação de recursos genéticos. Seu objetivo é preservar os ecosssistemas naturais por ele englobados, destinando-se a fins científicos, culturais, educativos e recreativos. Criado em 24 de setembro de 1980, somente no ano de 2000 é que o parque foi inscrito pela Unesco na lista do Patrimônio Mundial.
A riqueza da floresta tropical e o maior lago amazônico, o Amanã, são atrativos do local, representado por um maciço de vegetação, composto por floresta densa tropical ou florestas abertas e fauna diversificada. Uma curiosidade: existe aproximadamente um jacaré em cada quilômetro de rio em todos os habitats do parque.


O clima é constantemente úmido, sendo que a época mais chuvosa compreende os meses de dezembro a abril, e o período ideal para visitas é entre julho a novembro.
A partir de Manaus, pode-se viajar por de lancha ou barco pelo Rio Negro até Novo Airão, o que leva de 6 a 18 horas. Em Novo Airão, deve-se alugar outro barco e seguir pelo Rio Jaú até a área do parque. Por via terrestre, deve-se ir pela estrada que liga Manacapuru a Novo Airão.
Vegetação – Na vegetação há predominância de floresta ombrófila densa, onde são freqüentes os grupos de castanheira-da-amazônia (Bertholletia excelsa), angelim-rajado (Pithecelobium racemosum), quaruba (Vochysia maxima), sucupiras (Diplotropis spp), ucuúbas (Virola spp), breus (Protim spp) e maçaranduba (Manilkara huberi). É também freqüente na área um cipó que fornece água de excelente qualidade: o Daliocarpus rolandri. No plano mais elevado, a nordeste do parque, encontra-se uma porção de floresta densa submontana, onde os arbustos mais representativos são o amapá-doce (Parahancornia amapa), mangarana (Microphalis guianensis), sorva (Couma guianensis) e jarana (Holopyxidium jarana).


Ao longo das planícies aluviais dos rios Carabinani e Jaú, periodicamente inundadas, ocorrem os agrupamentos de palmeiras, como as paxiúbas (Iriartea spp), açaí (Euterpe oleraceae) e jauaris (Astrocaryon spp). E em áreas aluviais mais antigas, raramente atingidas por inundações, ocorre a floresta aberta aluvial, também com forte predominância de palmeiras, como o buriti e caranãs (Mauritia spp).
Fauna – Típicos da fauna equatorial, são encontrados no parque mamíferos de hábitos crepusculares e noturnos, como as raras ou ameaçadas onça-pintada (Panthera onca),  suçuarana ou onça-parda (Puma concolor), além de felinos menores, como a jaguatirica (Leopardus pardalis), jaguarundi (Herpailurus yagouaroudi) e gato-do-mato (Leopardus sp). Há também o peixe-boi (Trichechus inunguis), a ariranha ou lontra gigante (Pteronura brasiliensis), botos (Inia sp, Sotalia sp), guariba-vermelho (Alouata seniculus), macaco-da-noite (Aotus trivirgatus), macaco-de-cheiro (Saimiri sciureus) e anta (Tapirus terrestris).
Entre os peixes, encontra-se o pirarucu (Arapaima gigas), tucunaré (Cichla sp) e tambaquis (Colossoma spp). Há uma grande variedade de répteis: jabutis (Geochelone spp), jacaré-açu (Melanosuchus niger), sucuri (Eunectes murinus) e tartarugas. Entre as aves, há garças, araras, papagaios e bacuraus, entre outras.


A região do parque foi o primeiro pólo de povoamento na Amazônia por indígenas marcado por batalhas pela posse do território. Por outro lado, tem-se relatos de achados de cerâmica e pretogrifos (escritos em pedra). O Parque Nacional do Jaú, além de contar com a exuberância da Floresta Amazônica e toda a sua biodiversidade, é também ótimo para a prática de caminhada e canoagem e, claro, para a contemplação das suas belezas naturais. Embora não esteja ainda preparado para ampla visitação turística, o Parque Nacional do Jaú recebe normalmente a visitas de pesquisadores, que ficam em alojamentos do Ibama, preparados para receber no máximo oito pessoas. Para agendar visitas, é necessário contato prévio com o posto do Ibama no parque, com pelo menos um mês de antecedência, pelo telefone (92) 3613-3277. O turismo de visitação ao Rio Carabinani também só acontece em pequena escala e o período ideal para visitas é entre julho a novembro. O parque fica aberto diariamente das 7h às 18h.


     
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